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TCE-ES abre auditoria em contrato de R$ 26 milhões na saúde de Marechal Floriano; prefeito tentou bloquear envio de dados

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Tribunal aponta inconsistências graves, notas fiscais não autenticadas e prejuízo potencial de R$ 800 mil; Justiça derrubou decreto municipal que proibia repasse de informações aos órgãos de controle

O Plenário do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES) decidiu, por unanimidade, iniciar uma auditoria para investigar indícios de irregularidades no contrato de gestão da saúde firmado entre a Prefeitura de Marechal Floriano e o Instituto de Apoio ao Meio Ambiente, Saúde e Esportes (IAMASE).

O contrato, assinado em 11 de junho de 2025, possui valor global anual de R$ 26.247.864,00 e visa o gerenciamento e operacionalização de serviços assistenciais e administrativos de saúde no município.

A decisão pela auditoria ocorreu na sessão do dia 27 de janeiro, após o relator do caso, conselheiro Carlos Ranna, apontar “graves inconsistências documentais e financeiras” na execução do acordo entre junho e setembro de 2025.

Irregularidades milionárias e notas sem autenticação

Segundo o relatório apresentado, há indícios de prejuízo ao erário que somam R$ 824.272,57. Entre as principais falhas detectadas estão:

  • Notas fiscais suspeitas: Documentos fiscais totalizando R$ 551.888,57 não puderam ser autenticados nos sistemas oficiais (NFS-e Vitória e Portal Nacional da NF-e).
  • Divergência de pagamentos: Houve uma diferença não justificada de R$ 272.384,00 entre os valores pagos pela contratada (R$ 541.236,10) e os efetivamente validados (R$ 268.852,10).
  • Falta de transparência: Ausência de documentos essenciais, como relação de funcionários, contratos e comprovantes, além de falhas na governança e no controle interno da Organização Social (OS).

Prefeito tentou impedir fiscalização

Um ponto crítico do processo envolve uma tentativa da administração municipal de restringir o acesso aos dados. O prefeito de Marechal Floriano, Antônio Lidiney Gobbi, assinou a Portaria Executiva nº 01/2025, instaurando um processo administrativo e determinando a glosa (cancelamento) de pagamentos.

No entanto, o artigo 3º dessa mesma portaria proibia os membros da comissão técnica de enviar informações, documentos e relatórios aos órgãos de controle (TCE-ES, MPES e MPC) até a conclusão da apuração interna.

O Ministério Público de Contas (MPC) classificou o ato do prefeito como “obstrutivo, intimidatório” e uma tentativa de restringir o fluxo de dados indispensáveis à fiscalização.

A Justiça reagiu à manobra. O Juízo de Domingos Martins concedeu uma liminar em Mandado de Segurança suspendendo a validade desse artigo proibitivo e ordenando a remessa imediata dos documentos ao Tribunal de Contas.

Para o conselheiro relator Carlos Ranna, o caso afeta a credibilidade da administração pública e exige intervenção urgente. “A apuração adequada dos fatos é essencial para restaurar a confiança da sociedade e preservar o interesse público”, afirmou.

A auditoria aprovada pelos conselheiros terá o objetivo de apurar responsabilidades, quantificar com precisão o dano causado aos cofres públicos e subsidiar futuras punições ou medidas de ressarcimento.

FONTE: https://www.espiritosantonoticias.com.br/

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